O futebol é o esporte que mais movimenta dinheiro no Brasil e no mundo. Conhecido como paixão nacional, ele emprega diversos profissionais, médicos, preparadores físicos, técnicos, jogadores e fisioterapeutas, mas o maior responsável pela condução de cada partida e o único que não é profissional é o árbitro. Porém, a torcida continua a vê-lo como o algoz da situação e poucas vezes são creditados a ele os méritos pelos seus acertos. Durante os 90 minutos de uma partida, os jogadores erram em média 40 passes, mas quando um árbitro ou assistente marca um lance equivocadamente é o suficiente para que as equipes e as torcidas questionem sua integridade.
O avanço da tecnologia e a sua implementação nos jogos transmitidos pela televisão, como o tira teima por exemplo, permitiram que cada jogada fosse analisada minuciosamente. Com isso, muitos começaram a defender a inserção tecnológica durante as partidas. Mas o presidente da Comissão de Arbitragem da FFERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) Jorge Rabello é contra: "Se parar o jogo no meio para avaliar cada jogada vai acabar com a graça do futebol".
Para estar preparado para apitar um jogo, o árbitro de futebol se prepara técnica e fisicamente. A pressão é muito grande e para corresponder à altura das expectativas de todos, seria necessário dedicação total ao exercício dessa atividade. Porém, ela não é reconhecida como profissão e um árbitro precisa exercer outra atividade para se sustentar e manter um bom padrão de vida.
Existe um projeto de Lei criado pelo ex-deputado Tomas Nono há dez anos que regulamenta a profissão de árbitro, mas ele está arquivado e não tem previsão de ir para votação no plenário. "As entidades representativas de classe, a Associação Nacional dos Árbitros (Anaf) e os sindicatos deveriam tomar a frente e buscar solução para isso", sugere o ex-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF Edson Rezende.
No Brasil os encargos trabalhistas são muitos e isso impede que as federações profissionalizem seu quadro de árbitros, mantendo-os como prestadores de serviço. Com isso, a classe não consegue se organizar e montar um plano de carreira, mantendo a escolha como segunda opção de trabalho. São poucos os que conseguem se dedicar exclusivamente.
Buscando melhorar a arbitragem e diminuir a incidência de erros, a FIFA autorizou a profissionalização da classe. Os únicos países que investiram nisso foi Inglaterra e Itália, porém a mudança ocorreu apenas em um pequeno número de árbitros do quadro internacional. "O árbitro tem que viver em função da arbitragem e para a arbitragem para que possa corresponder a cobrança que lhe é feita", declara Edson Rezende.
Para a profissionalização no Brasil seria necessário um grande investimento por parte das federações e dos sindicatos. As carteiras de trabalho deveriam ser assinadas, além do pagamento de salários e encargos sociais. Edson Rezende acredita que das 27 federações talvez cinco tenham condições financeiras de profissionalizar o seu quadro de árbitros, e acrescenta: "se a profissão fosse regulamentada todas as classes envolvidas num jogo de futebol seriam beneficiadas, porque o árbitro se dedicaria mais, erraria menos e os resultados dos jogos seriam mais justos, aumentando a qualidade das partidas".
Contudo, há quem defenda que a arbitragem não deve ser a única carreira de uma pessoa. Para o observador da CBF e inspetor de arbitragem da Confederação Sul-americana de futebol Sérgio Cristiano, todos os árbitros devem ter empregos fora da arbitragem. "Imagina um caso de lesão ou qualquer tipo de acidente, como ficará o árbitro que não tem nenhum amparo legal?"
Para alcançar o nível de exigência das federações e da CBF, o árbitro precisa ter bom condicionamento físico e conhecimento técnico. Como toda profissão, o início depende de investimento do interessado. "Desde que entra no curso o árbitro já sabe o que vai enfrentar, então não adianta reclamar, tem que investir para chegar ao nível de profissionalismo onde ganha bem", incentiva Rabello.
A carreira oferece boa remuneração depois que o árbitro atinge certo patamar. No início da carreira as taxas são muito baixas, mas aumenta ao longo dos anos. Um árbitro que não seja do quadro da FIFA recebe R$1.800,00 para apitar uma partida do Campeonato Brasileiro. Já o árbitro que apitou a final do estadual do Rio de Janeiro esse ano ganhou R$5.000,00. Como o objetivo de todo árbitro é chegar à Copa do Mundo, quem trabalhou na última copa recebeu US$40 mil.
A arbitragem é um sacerdócio, é vocação. Não adianta só querer, precisa ter o dom", define Edson Rezende. Essa profissão tem diversos contratempos e ela se encerra aos 45 anos, quando todos os árbitros deixam de integrar os quadros da FIFA e da CBF. Por isso, quem tem planos internacionais para a própria carreira se dedica ao máximo e evita polêmicas. "A tecnologia vem ajudar a diminuir os erros graves e objetivos, mas os lances subjetivos não têm como. Estamos trabalhando para diminuir, mas vamos conviver eternamente com o erro do árbitro", reitera Rezende.
Abraços....
Afonso Mendes Dos Santos
O avanço da tecnologia e a sua implementação nos jogos transmitidos pela televisão, como o tira teima por exemplo, permitiram que cada jogada fosse analisada minuciosamente. Com isso, muitos começaram a defender a inserção tecnológica durante as partidas. Mas o presidente da Comissão de Arbitragem da FFERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) Jorge Rabello é contra: "Se parar o jogo no meio para avaliar cada jogada vai acabar com a graça do futebol".
Para estar preparado para apitar um jogo, o árbitro de futebol se prepara técnica e fisicamente. A pressão é muito grande e para corresponder à altura das expectativas de todos, seria necessário dedicação total ao exercício dessa atividade. Porém, ela não é reconhecida como profissão e um árbitro precisa exercer outra atividade para se sustentar e manter um bom padrão de vida.
Existe um projeto de Lei criado pelo ex-deputado Tomas Nono há dez anos que regulamenta a profissão de árbitro, mas ele está arquivado e não tem previsão de ir para votação no plenário. "As entidades representativas de classe, a Associação Nacional dos Árbitros (Anaf) e os sindicatos deveriam tomar a frente e buscar solução para isso", sugere o ex-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF Edson Rezende.
No Brasil os encargos trabalhistas são muitos e isso impede que as federações profissionalizem seu quadro de árbitros, mantendo-os como prestadores de serviço. Com isso, a classe não consegue se organizar e montar um plano de carreira, mantendo a escolha como segunda opção de trabalho. São poucos os que conseguem se dedicar exclusivamente.
Buscando melhorar a arbitragem e diminuir a incidência de erros, a FIFA autorizou a profissionalização da classe. Os únicos países que investiram nisso foi Inglaterra e Itália, porém a mudança ocorreu apenas em um pequeno número de árbitros do quadro internacional. "O árbitro tem que viver em função da arbitragem e para a arbitragem para que possa corresponder a cobrança que lhe é feita", declara Edson Rezende.
Para a profissionalização no Brasil seria necessário um grande investimento por parte das federações e dos sindicatos. As carteiras de trabalho deveriam ser assinadas, além do pagamento de salários e encargos sociais. Edson Rezende acredita que das 27 federações talvez cinco tenham condições financeiras de profissionalizar o seu quadro de árbitros, e acrescenta: "se a profissão fosse regulamentada todas as classes envolvidas num jogo de futebol seriam beneficiadas, porque o árbitro se dedicaria mais, erraria menos e os resultados dos jogos seriam mais justos, aumentando a qualidade das partidas".
Contudo, há quem defenda que a arbitragem não deve ser a única carreira de uma pessoa. Para o observador da CBF e inspetor de arbitragem da Confederação Sul-americana de futebol Sérgio Cristiano, todos os árbitros devem ter empregos fora da arbitragem. "Imagina um caso de lesão ou qualquer tipo de acidente, como ficará o árbitro que não tem nenhum amparo legal?"
Para alcançar o nível de exigência das federações e da CBF, o árbitro precisa ter bom condicionamento físico e conhecimento técnico. Como toda profissão, o início depende de investimento do interessado. "Desde que entra no curso o árbitro já sabe o que vai enfrentar, então não adianta reclamar, tem que investir para chegar ao nível de profissionalismo onde ganha bem", incentiva Rabello.
A carreira oferece boa remuneração depois que o árbitro atinge certo patamar. No início da carreira as taxas são muito baixas, mas aumenta ao longo dos anos. Um árbitro que não seja do quadro da FIFA recebe R$1.800,00 para apitar uma partida do Campeonato Brasileiro. Já o árbitro que apitou a final do estadual do Rio de Janeiro esse ano ganhou R$5.000,00. Como o objetivo de todo árbitro é chegar à Copa do Mundo, quem trabalhou na última copa recebeu US$40 mil.
A arbitragem é um sacerdócio, é vocação. Não adianta só querer, precisa ter o dom", define Edson Rezende. Essa profissão tem diversos contratempos e ela se encerra aos 45 anos, quando todos os árbitros deixam de integrar os quadros da FIFA e da CBF. Por isso, quem tem planos internacionais para a própria carreira se dedica ao máximo e evita polêmicas. "A tecnologia vem ajudar a diminuir os erros graves e objetivos, mas os lances subjetivos não têm como. Estamos trabalhando para diminuir, mas vamos conviver eternamente com o erro do árbitro", reitera Rezende.
Abraços....
Afonso Mendes Dos Santos





0 Comentário:
Postar um comentário